Julho 3, 2008

Dirigia rapidamente para chegar ao destino. Não sabia, entretanto, que o destino não estava à sua frente, mas à sua volta. O destino era a reunião das fatalidades, sortes e azares, dos inesperados, dos meandros.

O destino dele estava cansado de ser tratado como um lugar. A cidade onde o próximo vôo iria aterrizar, o restaurante onde iriam se ver. O destino era, justamente, o que ficava entre uma cidade e outra, entre a rua e o restaurante.

Olhou para o relógio. Havia perdido a hora. Havia perdido seu destino ainda que tivesse sido o próprio destino a atrasá-lo.

Ele não conseguiu dizer o que estava acontecendo. Havia todas as coisas boas, mas em paralelo, havia um estranho incomodo no ar. Uma sensação baseada em fatos reais, mas também estrelada por imagens absurdas, pesadelos, carros de fibra de vidro e objetos que, cada vez mais frequentemente, deixavam de ser sólidos para virarem vapor.

Como o incomodo estava no ar, logo estava ao seu redor. Ele pensava friamente e, enquanto dava uma larga talagada no vento, a nuvem ia sendo sugada para dentro de si. Uma ou duas baforadas profundas bastavam. Aquilo percorria as artérias, se misturava à condição da sua existência e, assim, retornava com outra composição para a atmosfera - na forma de inocente suspiro.

Olhava em torno e via que outros padeciam do mesmo sentimento. Todos sugando, misturando e suspirando. Cada um expelia coisas diferentes, mas intimamente ligadas: do suspiro de um, vinha um muro. De outro, herbicida. De um terceiro, grandes ratoeiras. Bolor. Perucas molhadas. Borra de café. Estalagmites afiadas. Algo tóxico.

Pensou que era o fins dos tempos. Concluiu que deveria ser o fim daquele tempo.

Logo, logo.

Junho 26, 2008

É hora de se resignar.


Junho 12, 2008

de minha autoria para o seu deleite.

Junho 10, 2008

Prometeu que lhe daria uma nota musical (com exceção da dó). E assim, todas as músicas do mundo ficariam capengas. E assim, toda vez que uma música fizesse silêncio, se lembraria dele. FIM.





O difícil não é fazer ou deixar de fazer. Não é isso que gira nossas vida. Nossa força motriz é a dúvida que tanto o fazer como o não fazer geram.

(Demorei uma fração de segundo para pensar nisso e 10 min para escrever a frase. E ainda, assim, não disse o que eu pensei).

1 minuto de silêncio.

Abril 29, 2008

‘Fazer silêncio’ não é apenas força de expressão. ‘Fazer silêncio’ é tão difícil quanto fazer qualquer outra coisa. Quanto fazer um foguete, fazer vasos de argila naquelas mesinhas que giram, fazer abdominais, fazer uma ligação.

‘Fazer silêncio’ diz mais respeito ao ato de fazer que ao ato de silênciar. É preciso construir o silêncio, tijolo por tijolo. E isso não é nada simples porque fazer silêncio não é só o contrário de fazer barulho.

‘Fazer silêncio’ não é deixar de emitir, é omitir-se.






Abril 17, 2008

acho que isso define tudo, então. sem maiores explicações. para que se atrever? para que desdobrar cada linha do texto? por que mesmo precisamos nos sentir confortados com justificativas? não aconteceu ou aconteceu. sim ou não. certo ou errado. no final, o paradoxo é que os meios-termos deixam as coisas pela metade.